
Questionado pelo líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), sobre de onde partem os ataques nas redes sociais contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional, o depoente da CPI mista das Fake News desta quarta-feira (30), deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), confirmou que as calúnias, injúrias e difamações são produzidas por apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL), inclusive de dentro do Palácio do Planalto.
A Presidência paga salários altíssimos para que milicianos digitais travestidos de assessores produzam informações falsas.
Alexandre Frota
Para Humberto, a declaração de Frota, que trabalhou intensamente ao lado do presidente desde a campanha eleitoral de 2018, é uma denúncia gravíssima que comprova a sequência de atentados ao Estado Democrático de Direito, bancada com dinheiro público e com o aval de Bolsonaro.
“A Presidência da República paga salários altíssimos para que milicianos digitais travestidos de assessores produzam informações falsas para detratar opositores, inclusive com ameaças, e beneficiar o chefe. Frota confirmou que essas gangues da internet, que alimentam o ódio, estão sendo utilizadas para atacar os presidentes da Câmara e do Senado e influenciar votações aqui dentro. Nós iremos identificar tudo isso nesta CPI e punir os envolvidos”, afirmou o senador.
Humberto destacou, ainda, que o deputado federal confessou que o presidente da Repúblico pediu e reiterou a ele que não se pronunciasse mais sobre Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), investigado por envolvimento com milícias e de ser operador-laranja de um esquema de desvio de recursos públicos promovidos por Flávio quando então deputado estadual pelo Rio de Janeiro.

De acordo com Humberto, o material que Frota está disponibilizando à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito vai ser de grande valia para as investigações e irá se juntar aos futuros depoimentos da ex-líder do governo no Congresso Nacional, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), do ex-ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebiano, e do ex-ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz.
“Fica muito claro, para todos nós, que a atuação suja bolsonarista nas redes sociais é coordenada, hoje, de dentro do governo e acontece desde as eleições, inclusive com financiamento privado suspeito. Diante de tantas evidências, não tem como não questionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que até hoje não deu uma resposta sobre as fake news usadas por Bolsonaro em 2018”, disse.
Na CPMI das #FakeNews, @alefrota77 e @BolsonaroSP mostram a cisão da base de @jairbolsonaro no Congresso. pic.twitter.com/sb0ETDVuVQ
— Humberto Costa (@senadorhumberto) 30 de outubro de 2019
Humberto avalia que o motor do projeto político que hoje comanda o país não são ideias ou propostas, mas sim o ódio. O líder do PT no Senado acreditava que as milícias digitais trabalhavam intensamente apenas contra partidos de oposição e a favor de temas de interesse, mas concluiu que todos que discordam das ideias deles são alvo de ódio.
“Eles são incapazes de conviver com diferenças de opinião e devem ser responsabilizados pelos crimes que cometem”, ressaltou.