Ataques e ameaças ao Congresso e STF partiram de milícias digitais de Bolsonaro, confirma Frota

Foto: Roberto Stuckert Filho

Questionado  pelo líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), sobre de onde partem  os ataques nas redes sociais contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o  Congresso Nacional, o depoente da CPI mista das Fake News desta  quarta-feira (30), deputado Alexandre  Frota (PSDB-SP), confirmou que as calúnias, injúrias e difamações são  produzidas por apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL), inclusive de dentro  do Palácio do Planalto.

A Presidência paga salários altíssimos para que milicianos digitais travestidos de assessores produzam informações falsas.

Alexandre Frota

Para Humberto, a declaração de Frota, que trabalhou intensamente ao  lado do presidente desde a campanha eleitoral de 2018, é uma denúncia  gravíssima que comprova a sequência de atentados ao Estado Democrático  de Direito, bancada com dinheiro público e  com o aval de Bolsonaro.

“A Presidência da República paga salários altíssimos para que  milicianos digitais travestidos de assessores produzam informações  falsas para detratar opositores, inclusive com ameaças, e beneficiar o  chefe. Frota confirmou que essas gangues da internet,  que alimentam o ódio, estão sendo utilizadas para atacar os presidentes  da Câmara e do Senado e influenciar votações aqui dentro. Nós iremos  identificar tudo isso nesta CPI e punir os envolvidos”, afirmou o  senador.

Humberto destacou, ainda, que o deputado  federal confessou que o presidente da Repúblico pediu e reiterou a ele  que não se pronunciasse mais sobre Fabrício Queiroz, ex-assessor do  senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), investigado por envolvimento com  milícias e de ser operador-laranja de um esquema de desvio de recursos  públicos promovidos por Flávio quando então deputado estadual pelo Rio  de Janeiro.

Foto: Roberto Stuckert Filho

De acordo com Humberto, o material que Frota está disponibilizando à  Comissão Parlamentar Mista de Inquérito vai ser de grande valia para as  investigações e irá se juntar aos futuros depoimentos da ex-líder do  governo no Congresso Nacional, deputada  Joice Hasselmann (PSL-SP), do ex-ministro da Secretaria-Geral, Gustavo  Bebiano, e do ex-ministro da Secretaria de Governo, general Carlos  Alberto dos Santos Cruz.

“Fica muito claro, para todos nós, que a atuação suja bolsonarista  nas redes sociais é coordenada, hoje, de dentro do governo e acontece  desde as eleições, inclusive com financiamento privado suspeito. Diante  de tantas evidências, não tem como não questionar  o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que até hoje não deu uma resposta  sobre as fake news usadas por Bolsonaro em 2018”, disse.

Humberto avalia que o motor do projeto político que hoje comanda o  país não são ideias ou propostas, mas sim o ódio. O líder do PT no  Senado acreditava que as milícias digitais trabalhavam intensamente  apenas contra partidos de oposição e a favor de temas  de interesse, mas concluiu que todos que discordam das ideias deles são  alvo de ódio.

“Eles são incapazes de conviver com diferenças de opinião e devem ser responsabilizados pelos crimes que cometem”, ressaltou.