Atos de Bolsonaro lembram fim de Jânio Quadros e Fernando Collor, diz Humberto

Foto: Roberto Stuckert Filho

Após compartilhar um texto que fala em “país ingovernável” e ter alimentado teses de renúncia e de aplicação de um golpe contra as instituições , o presidente Jair Bolsonaro (PSL) conseguiu, na avaliação do líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), desestabilizar ainda mais o país e misturar os desfechos que tiveram Jânio Quadros e Fernando Collor.

O primeiro renunciou após sete meses de mandato contra “forças terríveis que se levantavam contra ele”. Três anos depois de muita instabilidade política, houve o golpe militar de 1964. O segundo, após convocar manifestações de verde e amarelo em seu favor nas ruas diante de denúncias de corrupção, sofreu um impeachment.Para Humberto, em cinco meses, a gestão Bolsonaro não produziu absolutamente nada de positivo para o país e está levando o Brasil para o buraco numa velocidade impressionante.

Segundo ele, nem os mais pessimistas poderiam imaginar uma tragédia dessa magnitude. O líder do PT avalia que cabe ao Congresso ser uma voz ativa e responsável diante do caos que representa o Executivo.

“O governo não tem nada a apresentar para enfrentar os graves problemas dos brasileiros. O ano de 2019 já está perdido. Com cinco meses no poder, o clima já é de fim de feira. O sentimento é de que o governo não existe mais. E essa ideia de confrontar as instituições, prevista nas manifestações convocadas com o apoio do governo para domingo, é muito ruim para a democracia”, disparou.

O senador cobrou que o presidente tem de assumir a sua responsabilidade de governar o Brasil e que o povo não merece o que Bolsonaro e sua equipe estão fazendo. O parlamentar chamou de brincadeira o que o Palácio do Planalto faz e chamou o Congresso para confrontar as barbaridades vindas de lá. “Ou ele muda a sua ação como presidente, assume o seu papel de presidente eleito da nação ou ele que dê passagem a quem quer e sabe governar. A população não pode continuar assistindo, todo dia, de forma triste e ridícula, a um astrólogo dos EUA, estimular brigas entre integrantes da Esplanada. Onde nós vamos parar? Cadê as respostas para recuperar a economia e acabar com o desemprego?”, questionou.

Humberto chamou a atenção para o fato de que a reforma da Previdência, tão celebrada pelo governo, não vai promover as melhorias de que o país precisa.“Vemos uma gestão que só tem uma única tecla para bater o tempo inteiro. O que fazer com a inflação? Aprova a reforma da Previdência. O que fazer com o desemprego? Aprova a reforma.

O que fazer com a falta de crescimento? Aprova a reforma. Tudo vai se somando a dados negativos da economia. E o que eles dizem? Está assim porque não aprovou a reforma da Previdência. É uma falácia”, disparou.

O líder do PT espera que as manifestações previstas para o próximo domingo (26) não se baseiem em ataques à democracia e à liberdade e que elas não fortaleçam a ideia de que, se a democracia não funciona como Bolsonaro quer, que se acabe com ela.

“O presidente declarou hoje que o problema do Brasil é a classe política. Essa fala é contra a democracia, e não contra os políticos. Que governo é esse que convoca manifestação para atacar o Congresso e o Supremo, alegando que não fez nada porque não deixaram? Bolsonaro só se propôs a fazer sandices, como liberar arma para todo mudo, cortar recursos na educação e saúde e fazer debate ideológico o tempo inteiro”, criticou. “Isso não tem nenhum efeito prático para resolver a vida das pessoas.”