Foi um dia de presos e demitidos sobre o colo de Bolsonaro, analisa Humberto

A prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, e a saída de um dos ministros mais ideológicos e criticados do comando da pasta da Educação, Abraham Weintraub, nesta quarta-feira (18), mostram que a situação do presidente Jair Bolsonaro está deteriorando mais a cada dia. A avaliação é do senador Humberto Costa (PT-PE), para quem o presidente da República está acuado e busca aumentar o tom do seu discurso autoritário com a finalidade de fugir da lei. 

“Esse é um governo que cria crises e vive mergulhado nelas permanenentemente. A prisão de Queiroz na casa do advogado da família do presidente é emblemática e pode ter muitos desdobramentos, inclusive pela própria relação de Queiroz com as milícias. São inúmeras as investigações que rondam Bolsonaro, seus filhos, sua família e seus aliados, tanto por desvio de dinheiro público, quanto pela propagação de fake news e até mesmo pelo estímulo e financiamento à realização de atos antidemocráticos. A situação é insustentável. É um governo que já terminou sem nunca ter começado”, afirmou o senador. 

Humberto disse ainda que a saída do ministro da Educação também é uma prova da tensão que vive a administração Bolsonaro hoje. Um dos nomes com maior adesão entre os bolsonaristas, Weintraub deixa a pasta após promover, mais de uma vez, ataques e ameaças ao Supremo Tribunal Federal (STF) e seus membros. Ele é um dos alvos do inquérito que tramita na Corte. “Weintraub ficou pouco mais de um ano no cargo. Foi o suficiente para a a gente poder afirmar categoricamente que ele foi o pior ministro da Educação que o país já teve em todos os tempos. Ele promoveu um desmonte enorme do sistema educacional do país. Mas não caiu somente por sua incompetência e por seu ataque permanente à educação. Ele sai porque, como investigado, era mais uma crise constante no colo de Bolsonaro. E o presidente mal consegue suportar as que ele mesmo fabrica”, avalia. 

Para o senador, as recentes ameaças feitas por Jair Bolsonaro e por seus aliados à democracia têm uma justificativa prática:  “são várias as investigações contra Bolsonaro e ele procura escapar de todas essas evidências levantadas pelo Ministério Público, pela Polícia Federal, pela Justiça do nosso país. Bolsonaro quer fugir das mãos da lei, embora elas devem ser aplicadas a todos. É por isso que ele usa pretextos para atacar as instituições, desferir ataques violentos à democracia e apregoar golpes de Estado para se tornar ditador. O que ele quer é a certeza da impunidade”, disse. “Na casa onde Queiroz foi preso, havia um cartaz defendendo o AI-5. Nada pode ser mais simbólico que isso. Por isso, temos que cobrar o aprofundamento das investigações e a responsabilização de todos os que possam estar envolvidos. Precisamos caminhar para o impeachment do presidente, que só estará assegurado com a mobilização da sociedade brasileira”, completou.