Humberto ataca projeto fura-fila de empresários e promete derrubá-lo no Senado

Médico e ex-ministro da Saúde do governo Lula, o senador Humberto Costa (PT-PE) criticou duramente o Projeto de Lei nº 948/2021, que permite a compra de vacinas contra a Covid-19 por empresas privadas, aprovado na noite dessa terça-feira (6) pela Câmara dos Deputados. O parlamentar chamou a proposta de “excludente e equivocada” e disse que, numa grande articulação, espera derrubá-la no Senado.

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Com 317 favoráveis, 120 contrários e duas abstenções, os deputados autorizaram que uma lei aprovada no mês passado fosse flexibilizada para que empresas possam se apropriar de metade dos imunizantes comprados, sem a necessidade de transferi-los ao Sistema Único de Saúde (SUS), e sem precisar esperar a vacinação dos grupos mais vulneráveis. Na prática, a cada 100 doses compradas por uma empresa, 50 podem ficar com ela, que terá o direito de imunizar um diretor seu de 25 anos antes mesmo que uma pessoa de 60 anos seja vacinada pelo SUS.

Essa proposta é escandalosa. Com ela, o Brasil cria uma segregação por renda, em que os mais pobres só serão vacinados depois dos mais ricos, independentemente de terem fatores de risco. É inaceitável. O governo tem a obrigação de comprar as vacinas para todos os brasileiros sem exceção”.

Senador Humberto

Para o senador, essa prática de abrir para compras privadas só existe em alguns países da Ásia. “Nem os Estados Unidos, pátria do liberalismo e do livre mercado, autorizam algo tão indecente”, disse.

Presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Humberto promete uma ampla articulação política e com setores sociais para derrubar a medida, que vai à votação na Casa nos próximos dias. “Estamos no pior momento da pandemia. Mais de 4 mil pessoas morreram em 24 horas. Uma pessoa a cada 20 segundos. O Brasil já responde por 27% dos óbitos do planeta. Como é que, num quadro desse, nós dizemos a empresários que procurem vacinas pelo mundo, comprem e façam um calendário próprio, passando por cima do SUS? Isso é um absurdo e nós vamos lutar no Senado para que esse projeto seja derrotado”, afirmou.