Humberto diz que oposição vai convocar Moro no Senado para explicar interferência em caso Marielle

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), anunciou, nesta  quarta-feira (30), que a oposição vai apresentar um requerimento de  convocação na Comissão de Transparência, Fiscalização e Controle da Casa  para que o ministro da Justiça, Sergio Moro, explique  por qual motivo está agindo como advogado do presidente Jair Bolsonaro  (PSL), interferindo nas investigações do caso Marielle no Rio de Janeiro  e intimidando testemunhas.

Não cabe a Moro pedir a abertura de inquérito para investigar um depoente e as autoridades que colheram esse depoimento.

Senador Humberto

Para Humberto, o ex-juiz comete um grave equívoco ao solicitar a  abertura de uma investigação pela Procuradoria-Geral da República (PGR)  por conta do depoimento de uma testemunha-chave do caso, o porteiro, e  dos investigadores, falando em “possível  equívoco na investigação conduzida no Rio ou eventual tentativa de  envolvimento indevido do nome do presidente da República no crime em  questão, o que pode configurar crimes de obstrução à Justiça, falso  testemunho ou denunciação caluniosa”.

O senador avalia que a decisão do ministro é completamente indevida  e ele terá de explicar ao Senado por que age como defensor do chefe e  se encaminha à PGR para intimidar o porteiro do condomínio do  presidente, que testemunhou com fatos negativos e trouxe  uma bomba ao Palácio do Planalto.

“Cabe apenas às investigações em curso apontar se o depoente disse  ou não a verdade. É a investigação atual que deve chegar à última  consequência das apurações. Não compete a Moro e nem a Bolsonaro, de  forma alguma, pedir a abertura de inquérito para investigar  um depoente e as autoridades que colheram esse depoimento”, finalizou.

O líder do PT no Senado ressaltou que Moro já não atuava com  imparcialidade quando juiz da Lava Jato em Curitiba e segue, como  ministro em Brasília, agindo contra as leis e a Constituição.

“É público  e notório que ele agiu politicamente para chegar onde  está. Agora, para se manter no cargo, segue atuando contra as normas”,  destacou.