Humberto vai a Mourão pedir ação do governo contra desastre ambiental

Foto: Roberto Stuckert Filho

Depois  de pedir a demissão do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e  cobrar explicações do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, a  respeito da inércia do governo Bolsonaro em relação ao desastre na costa  do Nordeste, o líder do PT no Senado,  Humberto Costa (PE), foi até o Palácio do Planalto para cobrar  providências. Ele se reuniu com o presidente da República em exercício,  Hamilton Mourão.

Humberto disse a Mourão que está preocupado com as consequências  negativas da tragédia sobre os pescadores e profissionais ligados ao  setor do turismo. Segundo Humberto, não é possível que o governo demore a  responder a essas demandas, assim como fez para reagir  ao óleo que atingiu o litoral.  

“Conversamos sobre uma compensação financeira aos pescadores. E que isso  não pode demorar a chegar. O governo vai ter de estimular a economia da  região. Pelo menos tivemos uma boa notícia na reunião: o presidente em  exercício nos disse que o processo de chegada do  material tóxico às praias está em fase final”, contou.

O parlamentar avisou ainda a Mourão que o Senado está criando uma  comissão externa para monitorar os trabalhos e auxiliar as autoridades  competentes.

O senador lamentou que a gestão Bolsonaro esteja tratando com  absoluto descaso, desde o fim de janeiro, o maior desastre ambiental em  extensão de todos os tempos no país. Ele acredita que o presidente e  seus ministros são preconceituosos em relação ao  povo nordestino e não se preocupam com o meio ambiente.

“São mais de 200 locais afetados e um imenso prejuízo à flora e à  fauna da região, onde verdadeiros santuários ecológicos estão sendo  invadidos por esse derramamento de óleo, que, até o presente momento,  nem de onde veio o governo sabe identificar. As  causas e os responsáveis não foram identificados e a União permanece  inerte enquanto o óleo avança”, criticou.

Humberto lembrou que Bolsonaro não pisou na região e não prestou  qualquer solidariedade à população pelo desastre de dimensões nunca  vistas. Ele acredita até que o presidente pode ter ficado decepcionado  com a atitude de Mourão de designar, na ausência  dele – que viaja ao Japão neste momento – o Exército para ajudar a  retirar o óleo das praias.

“Creio que Bolsonaro não deve ter gostado porque ele queria que a  gente morresse no petróleo lá. Acho que é isso. E acredito que não vai  gostar também dessa nossa reunião. Mas o tamanho da inoperância do  governo só perde para o tamanho do desastre. Foram  mais de 900 toneladas de óleo já retiradas. São 144 mil pescadores e  marisqueiros que estão afetados. O potencial danoso para o turismo,  especialmente às vésperas do verão, é enorme”, afirmou.

O líder do PT no Senado responsabilizou o Palácio do Planalto pelo  agravamento do desastre, principalmente por ter acabado com qualquer  forma de controle e consulta da sociedade sobre o Governo, extinguindo  inúmeros comitês e conselhos, incluindo o que  tinha responsabilidade de conter incidentes com vazamento de óleo –  criado pela presidenta Dilma Rousseff.

Humberto ressaltou que, enquanto o óleo estava começando a tomar as  principais praias de Pernambuco, o presidente da República, em vez de  falar para o povo do Estado o que iria fazer, foi à rede social  esculhambar o governador Paulo Câmara por ele “ter  tomado o 13º salário do Bolsa Família do povo”.

“Bolsonaro criou uma mentira descabida. Veja que cabeça. Veja que  mentalidade tem esse senhor que ocupa o cargo mais alto do Poder  Executivo brasileiro. Não há nenhuma sensibilidade com os cidadãos,  principalmente da nossa região”, comentou.