Lava Jato protegeu Guedes para Moro não perder cargo de ministro no governo Bolsonaro, diz Humberto

Foto: Roberto Stuckert Filho

Autor de um pedido de abertura de investigação criminal contra Sergio Moro no Supremo Tribunal Federal (STF), o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), declarou, nesta terça-feira (20), que Lula está preso injustamente há 500 dias por um homem que colocou projetos pessoais e políticos à frente da magistratura, inclusive poupando integrantes da equipe de campanha de Bolsonaro, como Paulo Guedes. 

Para o senador, a prisão do maior líder político do país era o desfecho de uma trama construída nos porões da Lava Jato para derrubar os governos do PT do poder com o golpe contra Dilma, retirar Lula da vida pública, tornar o partido uma sigla proscrita e abrir caminho para as ambições espúrias da turma que comandava a operação.

“Moro suou a toga para eleger Bolsonaro, ganhar um cargo de ministro da Justiça e viver empoleirado lá à espera de uma prometida cadeira no Supremo, como um urubu que ronda animais em agonia à espera de sua morte para se saciar do seu cadáver. Até suspeitos, como Guedes, foram poupados para a turma da Lava Jato chegar onde chegou”, disse.

Ele afirmou que as próprias revelações do vice-presidente Hamilton Mourão de que, ainda no período eleitoral, Moro foi convidado a fazer parte de uma eventual gestão de Jair Bolsonaro colocam o ex-juiz em maus lençóis.

“Vocês sabem quem entrou em contato com Sergio Moro e fez o convite para que ele integrasse o governo? Paulo Guedes, o atual ministro da Economia, poupado pela turma da Lava Jato”, criticou.   

O parlamentar ressaltou que foi Guedes quem fez essa ponte com Moro, levando a proposta do Ministério da Justiça e da vaga no Supremo ao responsável por condenar Lula. Humberto registrou que a Folha de São Paulo mostra, hoje, que uma empresa de Guedes pagou mais de meio milhão de reais a uma firma de fachada que lavava dinheiro das propinas arrecadadas pelo governo do PSDB no Paraná.

“Ali, nas barbas da Lava Jato, isso aconteceu. A operação chegou ao esquema e à organização do governador Beto Richa, prendeu e transformou em réus dois empresários que fizeram o mesmo que Paulo Guedes, mas nada fizeram contra ele. Na época, abril do ano passado, Guedes já era coordenador da campanha de Bolsonaro. O caso virou uma nota de rodapé da página 138 do inquérito. O homem que convidou Sergio Moro para o governo foi poupado”, observou. 

O líder do PT no Senado avalia que, para chegar até o Executivo, Moro cometeu um rosário de ilegalidades, rasgou a lei e subjugou instituições como o Ministério Público, a Polícia Federal, o Coaf e a Receita Federal à sua vontade.

“Ele usou de seu prestígio midiático e da sua relação promíscua com parte da imprensa para emparedar autoridades. Ele tem de ser investigado e punido por tudo isso”, cravou.