Moro terá de explicar ao Senado quem são os americanos citados nas conversas e a obscuridade do caso Tacla Duran, diz Humberto

A um dia do depoimento de Sergio Moro no Senado, o líder do PT na Casa, Humberto Costa (PE), afirmou que o ex-juiz terá de explicar aos parlamentares quem são os americanos citados na troca de mensagens com o procurador-chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol, e também o obscuro caso do advogado Tacla Duran, que diz ter fugido do Brasil após ser extorquido por ex-sócios de Rosângela Moro – mulher do atual ministro da Justiça e Segurança Pública.

O depoimento de Moro, marcado por conta do escândalo divulgado pelo Intercept, que traz várias ilegalidades na conduta do ex-juiz, será às 9 horas desta quarta-feira (19) na Comissão de Constituição e Justiça. 

Para Humberto, Moro terá de prestar esclarecimentos sobre o trecho específico do diálogo com Dallagnol em que o procurador declara que certos detalhes da operação podem “depender de articulação com os americanos”, “que já está sendo feita”. 

“Eu confesso que estou muito curioso para saber quem são esses americanos. E eu acho que Moro amanhã tem a obrigação de dizer quem são esses americanos que estavam ali, do lado da Lava Jato, para pegar o Tacla Duran, que havia denunciado que tinha uma indústria da delação premiada dentro da operação Lava Jato”, declarou. 

O senador ressaltou que os americanos não têm relação com a Justiça brasileira, a não ser que a Lava Jato tenha se associado ao FBI, à CIA, à NSA, agência de espionagem americana, ou ao Departamento de Justiça de lá. 

“Mas não é o caso. Aliás, é muito estranho que o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Sergio Moro, quando estiveram em Washington recentemente, tenham ido tomar um cafezinho na sede da CIA, a maior agência de espionagem do mundo, responsável pela derrubada de governos democráticos. Até que ponto isso está relacionado à Lava Jato, que perseguiu o PT e Lula? Que grau de intimidade é esse?”, disparou. 

O senador também questionou a conduta que tiveram Moro e Dallagnol em relação a Tacla Duran, que atuou na Lava Jato e relatou ter fugido do Brasil após ser extorquido em US$ 5 milhões por outros dois advogados, ex-sócios de Rosângela Moro. 

Segundo o parlamentar, os advogados de Lula tentaram, de todas as maneiras, que Duran fosse ouvido no processo do ex-presidente, mas o então juiz Moro não aceitou que ele fosse chamado como testemunha. 

“O próprio Tacla Duran, ex-advogado da Odebrecht, disse publicamente que queria depor, que queria falar da indústria das delações premiadas, as quais, segundo ele, havia lá na Lava Jato. Mas ele nunca conseguiu falar oficialmente sobre isso no Paraná”, comentou. 

Humberto reiterou que Moro afrontou a legislação e quebrou regras inaceitáveis que exigem o seu imediato afastamento do cargo. 

“Até porque ele está investigando como é que aconteceram as gravações por meio da Polícia Federal, que, no final das contas, é ele que manda. Há um conflito aí gigantesco, e acho que ele deveria, a bem da moralidade pública, se demitir e deixar que alguém, de forma independente, fizesse essa investigação”, disse.