Para Humberto, Brasil pode viver tragédia de dimensões inimagináveis se flexibilizar medidas de isolamento

As manifestações do presidente Jair Bolsonaro e de parte de sua militância em favor da reabertura de estabelecimentos comerciais e outros serviços levaram o senador Humberto Costa (PT-PE) a reforçar o alerta sobre as consequências da pandemia de coronavírus no país. Ex-ministro da Saúde, o parlamentar disse que, se as medidas de isolamento social não forem feitas agora, o Brasil poderá ter que contar “centenas de milhares de mortos muito em breve”.

“Se nós não agirmos neste momento, em breve a conta será cobrada de todos nós. Lamento que alguns poucos brasileiros e brasileiras estejam acreditando nas loucuras que o presidente da República está propagando. O mundo viu o prefeito de Milão vir a público pedir desculpas à população porque, por pressão de setores econômicos, resolveu flexibilizar as medidas de contenção. O resultado está aí: hoje quase metade das pessoas mortas por coronavírus na Itália são de Milão. Se a gente adotar as mesmas medidas, vamos viver uma tragédia de saúde pública de dimensões inimagináveis no Brasil”, afirmou o senador.

Humberto também criticou a campanha publicitária “O Brasil não pode parar” lançada pelo governo Bolsonaro. A ação custou R$ 4,8 milhões de reais e foi realizada sem licitação. “É de uma irresponsabilidade absurda. Em vez de se preocupar em usar esse dinheiro para equipar hospitais e salvar vidas, o governo faz exatamente o contrário e investe na desinformação”, disse.

Para Humberto, o presidente está cada vez mais isolado e sua postura mostra a sua incapacidade de gerir o país. “Jair Bolsonaro precisa sempre de um inimigo para reforçar a sua teoria política e ideológica. Mas a verdade é que agora ele está isolado e já mostrou que é incapaz de conduzir o país. Ele é o maior entrave para que o Brasil possa combater corretamente essa pandemia.”O senador também reforçou a necessidade de o país preparar uma agenda econômica para sair da crise provocada pelo coronavírus. Além de defender uma renda básica para a população, Humberto quer alterações na Emenda Constitucional 95, a chamada PEC do Teto de Gastos. “Com essa PEC, a saúde deixará de receber, entre 2018 e 2020, cerca de R$20 bilhões, e esse dinheiro vai fazer muita falta agora. Acho que é importante que a gente consiga, ao menos neste momento, mudar essa regra.”